Cansei de esperar por socorro...

... eu mesmo me levantei e lutei...

Ave RPGista! Aqui vou falar um pouquinho sobre a minha jornada de mestrar RPG!

A história toda começa em uma cidade bem pacata, que na época tinha menos de 6.000 mil habitantes! Seu nome era: Campina do Monte Alegre... Acho que tudo já começou em um cenário de RPG não? Um pequeno e peculiar vilarejo, com poucas pessoas... Falta a taverna... Já ia me esquecendo! O "Bar do Lobão" serve?

Mas não foi nessa taverna que eu encontrei meu primeiro mestre de RPG... Em uma festa da facul, pois na época eu fazia UFSCar, eu comecei a conversar com o famigerado "P2", nosso amigo... Na época ele morava em uma espécie de "pensão", era uma casinha sobrado, a proprietária era uma senhorinha que morava em baixo, e eles ( o P1 e o P2 ) moravam em cima...

Lembro que eu fui o 7º integrante da mesa... sim! O mestre dizia que ele tinha perdido totalmente o controle da mesa! Mas foi uma excelente mesa... Pena que quase tudo que é bom, dura pouco... Nunca mais encontrei outro mestre de RPG, e isso nos leva ao primeiro ponto:

MESTRES DE RPG SÃO INCOMUNS

Ué Blue Wizard... Mas não é só pegar o livro e começar a mestrar?

Então pequeno pupilo... Não é BEEEMMM assim...

Quando afirmo que "Mestres de RPG são incomuns" é literalmente isso... Incomum é o antônimo de comum. Jogadores são comuns, conheço muitas pessoas que gostam de RPG, mais do que se imagina a priori, entretanto, entre 10 jogadores, encontramos 1 mestre, ou talvez menos... Lembrando que a estatística apresentada é percepção subjetiva minha, pode não seguir RIGOROSAMENTE essa proporção, entretanto, é fato que jogadores são MUITO mais comuns que mestres, enquanto os últimos são incomuns quando comparados com a proporção de jogadores

Mestrar uma mesa exige tempo, dedicação, disposição e criatividade... E modéstia à parte, a última é a que eu mais tenho!

Quando P1 começou a mestrar para nós, eu me apaixonei mais, se é que isso é possível... err... pelo jogo! Exclusivamente pelo jogo! Ha ha ha

E quando tudo terminou, foi como passar doce na boca da criança, eu fiquei sem ter para onde ir! E agora? Quem poderá me defender??

Infelizmente o chapolim colorado não apareceu ( e eu entreguei a idade?? ) e eu queria muito jogar! Eu tinha muitos mundos que imaginava desde pequeno, e queria alguém para jogar comigo, para viver, pelo menos por um momento esses sonhos!

Bom, eu não tenho muita dificuldade em fazer amigos ha ha ha e eu conheci um outro amigo em uma festa ( que é meu amigo até hoje ), fui trocando ideia com ele e as ideia bateu... entendeu jhow?? Ha ha ha

Cansado de esperar, eu já estava a anunciar minha mesa de RPG nos grupos da BIO geral... Com esse amigo que eu tinha feito na festa, e mais umas pessoas que ele conhecia, e mais uma menina ( sim! Minha primeira mesa de RPG tinha uma menina, alguns nerds raiz vão me chamar de herege, mas é isso aí mesmo! ) nós montamos nossa primeira mesa, e foi MUITO boa! Na opinião geral!

Ainda mestrei muitas outras mesas! Eu esperava ansiosamente para chegar o dia do RPG! Isso foi em meados de 2018...

Entretanto, mesmo eu, com o passar do tempo com determinadas mesas, fui perdendo um pouco o brilho, a dedicação, a disposição e por fim, a criatividade... Inclusive, peço perdão àquela mesa, era época de pandemia, e eu estava começando a ficar meio descoisado... Acredito que foi o última mesa de PRG que eu mestrei oficial e gratuitamente.

MESTRES EXCEPCIONAIS SÃO RAROS

Longe de mim afirmar que sou um "Mestre excepcional"! Eu errei muito e ainda erro...

Mas é inegável afirmar que eu tenho uma paixão e uma enorme bagagem... Talvez possamos afirmar: Um dom...

Particularmente, para mim, dons existem, e eles residem nas experiencias subjetivas e individuais de cada ser humano, que vão sendo maturadas desde a infância... Lembro de uma amiga minha, que hoje faz química, e ela dizia que desde criança gostava de amassar as plantas para extrair o perfume delas...

Enfim, pode parecer uma coisa boba, mas outra teoria minha, é que "toda brincadeira é séria", no sentido de que, a brincadeira, mesmo com todo o caráter lúdico, tem algum pano de fundo por trás, seja influenciado pela cultura, pelos gostos individuais dos envolvidos, enfim... Animais brincam de lutinha, de pega pega, e essa brincadeira deles é de certa forma, um treinamento para a vida adulta, onde vão ter que lutar com outros indivíduos da mesma espécie, com a presa, perseguir a presa, fugir de outros predadores... As brincadeiras, os jogos, ativam áreas em nosso cérebro, estimulando certos neurônios, certas vias neurais, que vão reforçar ou inibir certos comportamentos, certos padrões de pensamento... E isso é especialmente verdade no RPG... Tanto para o mestre quanto para o jogador...

Inclusive, lá nos canais oficiais da Time Beholders, e aqui neste mesmo site, eu já falei do Kriegsspiel, um "jogo" de simulação de guerra inventado por generais alemães... Ou seja, os bisavós do RPG de mesa são os alemães, eles criaram uma simulação de guerra que não tinha pretensões de ser um jogo, mas de ser um treinamento para novos generais...

E os tataravós seriam as histórias contadas ao redor das fogueiras... Enfim!

Os mestres que vivem RPG tendem a ser mestres melhores, e é claro, isso traz várias vantagens e desvantagens para a vida prática... Não tem como ganhar te todos os lados, apenas balancear o que mais faz sentido para os seus objetivos, metas, e para quem você é... Temperança, a vida é sobre isso!