O Princípio das Histórias
Ao redor da fogueira, humanos ancestrais se reuniam não apenas para se aquecer, mas para dar sentido ao mundo. A chama afastava a escuridão, e as palavras afastavam algo ainda mais antigo: o medo do desconhecido.
Ali nasciam as histórias.
Não eram entretenimento. Eram mapas mentais.
Mitos, lendas, deuses e heróis surgiam como explicações para o trovão, para a morte, para o acaso e para a coragem. Cada narrativa carregava lições, advertências e sonhos — transmitidos de voz em voz, de geração em geração.
Antes de existirem livros, regras ou dados, existia o fogo.
Nesse círculo de luz havia sempre alguém que guiava o relato.
O contador de histórias não era um líder nem um sacerdote, mas algo entre os dois. Ele conhecia os ritmos, sabia quando criar suspense, quando silenciar, quando provocar o riso ou o temor. Sua função não era apenas narrar, mas conduzir a imaginação coletiva.
Enquanto um falava, os outros viajavam.
Cada ouvinte enxergava o mesmo herói, mas por olhos diferentes. A história não estava pronta — ela acontecia dentro de cada mente.
Muito antes de existir uma mesa, já existia um círculo.
Muito antes de existir um Mestre, já existia alguém que dizia:
“Deixe-me contar o que aconteceu…”